Ainda que o termo, "Música Gospel", possa abranger um campo da Música muito vasto, seus estilos, embora com nomes variados, possuem todos uma mesma essência e raiz — a música cristã negra nos Estados Unidos da América. Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel, foi o
Negro Spirituals (em Português, as canções harmoniosas dos "Espirituais dos Negros").O foco desta breve história é a música que fluiu da igreja
Afro-americana e inspirou uma
cornucópia de corais modernos, artistas do mercado
Rhythm & Blues, e o atual Gospel contemporâneo (
Música Cristã Contemporânea), além de outros estilos musicais do gênero.Alimentado pela gigantesca indústria multi-bilionária de gravação musical nos
EUA, o "pequeno infante" da música Gospel pulou do seu berço humilde e cristão e atravessou as muralhas da igreja para um mercado bem diferente do mundo atual. E, o Gospel continua a crescer. De acordo com a revista Norte-americana, Gospel Today, dentre
2003 e
2008, sete
gravadoras criaram divisões especiais somente para lidar com artistas Gospel; as estatísticas da mesma publicação indicaram que os
selos independentes cresceram 50%, e o rendimento das vendas só de música Gospel chegou a triplicar nas últimas décadas, de US$180 milhões de dólares em
1980 a US$500 milhões em
1990.
Origens
Thomas A. Dorsey (1899-1993), compositor de sucesso tipo
There Will Be Peace in the Valley, é considerado por muitos, O Pai da Música Gospel. No início de sua carreira ele era um importante pianista de
Blues, conhecido aliás por Georgia Tom. Ele começou a escrever Gospel depois que ouviu
Charles A. Tindley (1851-1933) numa convenção de músicos na
Filadélfia, e depois, abandonando as
letras mais agressivas de outras canções, não abandonou, contudo, o
ritmo de Jazz tão parecido com o de Tindley. A Igreja inicialmente não gostou do estilo de Dorsey e não achou apropriado para o santuário, na época. Em
1994, após o seu falecimento, a revista Norte-americana, Score, publicou um artigo com o título: The Father of Gospel Music (em português, "O Pai da Música Gospel"); neste artigo a revista declara que quando Dorsey percebeu, no início de sua carreira com o Gospel, que muita gente estava brigando contra a música Gospel, ele estava "determinado para carregar a bandeira" a favor do Gospel, bem entendido. Assim ele fez. Ele investiu em 500 cópias da canção dele, If you See My Saviour (em português, "Se Você Ver o meu Salvador") e enviou para diversas igrejas do país. Levou quase três anos para ele conseguir mais pedidos da música e ele quase retornou a tocar o Blues. Mas Dorsey não desistiu e com ajudas de outros bons músicos ele foi em frente. Trabalhou com as cantoras,
Sallie Martin (1896-1988) e
Willie Mae Ford Smith (1904-1994), escreveu centenas de músicas Gospel e testemunhou a sua música subir no púlpito das igrejas—aonde, uma vez, recusaram ela de subir! Dorsey fundou a Convenção Nacional de Corais Gospel nos
EUA, em
1932, uma organização que ainda existe até hoje.